EGO

"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes
que aqui caleidoscopicamente registro."

(Clarice Lispector)

segunda-feira, 19 de março de 2012

infinitude

Há aqui estes cristais brutos. Estas pedras mal lapidadas e inacabadas. Um espírito atônito com uma aspereza bonita de sentir. Um corpo que se estira e esvazia e grita e cala a saudade do porto desconhecido, do que ainda está por vir. A saudade da completude do mundo que já era inteiro antes que se descobrisse mundo, com suas frestas e ranhuras e desfiladeiros - como aparenta quebrado o que é inteiro. E te antecipo resquícios de um futuro que salta aos olhos e me eletrifica a carne. Porque tudo é aspiração, delícia, erupção, maremoto. Tudo é espuma. Ganir. Abrigo dessa sombra que me protege e converte em outra - em outras. Sou toda humanidade e infinitudes. Desejos. Respostas gritadas no infinitivo - sem tempo - da tua língua.


Um comentário:

Heinz Prellwitz disse...

tão presente em minha vida, como se nunca houvesse ido. Tão novidade, como se nunca houvesse chegado.
Toda vez que te vejo sorrindo, toda vez que te vejo na minha pequena redoma de sonhos, e eu tenho a proeza de ter uma redoma real, lá está você, ainda melhor do que na minha mente, porque você é real.
Te amo.