Ela dividia-se em tantas partes, tantas vezes... A multiplicidade tornava os pequenos fragmentos leves, quase invisíveis, partículas que voavam e se dispersavam, independentes. Era a inconstância entre o ser e o estar. Era a alma feita de nuvens, nuvens que quando se dispersavam revelavam o sol ou os pequenos pontos cintilantes no azul do céu noturno. Da mesma forma, as nuvens - pequenos fragmentos de alma - uniam-se e escureciam o dia, roubavam o brilho da noite. E então o espírito tornava-se mais pesado que o corpo. Mas tornava a ficar leve novamente, numa dança cíclica interminável, em que seus dias e horas corriam de forma aversa ao mundo, em movimentos interiores ininterruptos e hormonais.
Postado por Nina


