"(...)
Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa, hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro, nós dois,
Esse amor..."
[Ainda bem - Vanessa da Mata]
EGO
"Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes
que aqui caleidoscopicamente registro."
(Clarice Lispector)
sexta-feira, 7 de março de 2008
quinta-feira, 6 de março de 2008
a segunda pele...
Há muitas vestes sobre o corpo. Os tecidos tornam-se desnecessários e inconvenientes. Meus olhos cerram-se e os lábios contraem-se quando a outra voz vibra mansa dentro do quarto. É lento, dançante, coleante, e o serpentear de dedos nas alças finas segue o ritmo da voz que sussurra versos musicais. Sinto-me leve e livre daquela outra roupagem. Os pêlos dourados do ombro nu arrepiam-se. Sinto que há algo dentro de mim e é dessa sensação que sinto urgência em falar. Não é o sexo dentro do meu; é a outra alma fundida na minha, inteira, saliente, impetuosa. Há dois mundos diferentes aqui dentro, e com eles, um universo de possibilidades. É o paralelo entre o toque e o intangível, o som e o silêncio, a luz e a escuridão.
E é assim, despida de roupas que não são minhas, que me cubro de você: seus pêlos roçando minha barriga, suas mãos cobrindo meus seios, sua barba contando segredos aos meus ouvidos. Os cachos misturam-se, as línguas enroscam-se, os sexos desprendem-se.
Sua alma suspira dentro da minha. Teus pêlos me aquecem o corpo.
Você, minha segunda pele.
E é assim, despida de roupas que não são minhas, que me cubro de você: seus pêlos roçando minha barriga, suas mãos cobrindo meus seios, sua barba contando segredos aos meus ouvidos. Os cachos misturam-se, as línguas enroscam-se, os sexos desprendem-se.
Sua alma suspira dentro da minha. Teus pêlos me aquecem o corpo.
Você, minha segunda pele.
Postado por Nina
Soneto Escarlate




SONETO ESCARLATE
.
As ondas rubras quebram em teus ombros
Em quedas, cascatas de vermelhidão que ecoam em teus ouvidos
Entre meus dedos, eu colho a umidade, o veludo e o perfume
Desses cabelos quais medusa, vivos
.
Ao vento, cachos rebeldes dançam
Roçam a pele levemente, carinho quase desafio
Pois o teu toque, é de eriçar os sentidos
E o teu cheiro é capaz de entorpecer os que amam
.
Fortes e viçosos, presos, asas de corvos
Em que seguro com força para puxar
Impiedoso trazendo o teu corpo inteiro para trás
.
Desse sagitário são as rédeas que cavalgo
E, no fim, quando ambos estivermos aniquilados
São debaixo dos caracóis carmim que eu vou me aninhar
.
As ondas rubras quebram em teus ombros
Em quedas, cascatas de vermelhidão que ecoam em teus ouvidos
Entre meus dedos, eu colho a umidade, o veludo e o perfume
Desses cabelos quais medusa, vivos
.
Ao vento, cachos rebeldes dançam
Roçam a pele levemente, carinho quase desafio
Pois o teu toque, é de eriçar os sentidos
E o teu cheiro é capaz de entorpecer os que amam
.
Fortes e viçosos, presos, asas de corvos
Em que seguro com força para puxar
Impiedoso trazendo o teu corpo inteiro para trás
.
Desse sagitário são as rédeas que cavalgo
E, no fim, quando ambos estivermos aniquilados
São debaixo dos caracóis carmim que eu vou me aninhar
.
POSTADO POR E AGORA JOSÉ?
segunda-feira, 3 de março de 2008
Manhã-Crônica: ASAS

“_Minhas asas? Há, elas são frágeis e fáceis de quebrar, inúteis. Se eu dependesse delas para voar, jamais conseguiria ir mais longe que as serpentes. Ainda bem que minha alma é leve, cavalga o vento, beija a brisa, e não há limites para onde ela possa ir, ela sempre segue a felicidade. E, mesmo assim, para todo anjo caído meu amigo, restam-lhes as pernas. Os homens, os mortais, são tudo o que eles possuem, e eles desafiaram com elas, os portões da casa de Deus, marchando sob a chuva, foram mais longe que qualquer um poderia imaginar. E Ele viu que isso era bom, (no fundo, depois de algum tempo, todo deus quer se aposentar) basta que nós vejamos isso também. Nas noites, penso em você, acordado ou sonhando. E acordo com o despertador da saudade.”
.
POSTADO POR E AGORA JOSÉ?
haicais...
Nunca havia me aventurado a escrever um haicai, mas José (sempre ele) propôs uma brincadeira interessante: ele propunha os motes e eu tentava os haicais. Acho que consegui, só não faço idéia se são o que se espera de haicais. Fiquei mais feliz quando li que há no Brasil uma linha de haicais compostos sem a preocupação com métrica ou com referência à estação do ano (Paulo Leminski, Millôr Fernandes, Olga Savary, etc)
Eis o resultado da brincadeira:
rosa na carne
vermelha nas costas
rosada nas coxas
*
caninos famintos
uivos insanos
momento da caça
*
lua devassa
valsando no céu
da noite vadia
*
fome e luxúria
desejos latentes
no sexo e na alma
*
sonhos fundidos
bistrô na cidade
e a casa no campo
*
rebentos de vida:
girassol floresceu;
leão que rugiu
*
amor em versos
beleza fitada
musa e poeta
*
a cama e nós
enrolados em lençóis
no quarto de hotel
*
coxas cruzadas
boca aberta
vergonha de nada
*
forgo ardente
chamas de medo
inferno de dúvidas
*
fogo que queima
as coxas, o sexo
a alma, o beijo
*
corpos despidos
amor urgente
no chão de cimento
*
aquela boceta
gostosa, vermelha ===> ele pediu um haicai com palavrão... :)
a rosa crispada
*
explosão gloriosa
o cume do amor
argamassa gozosa
*
os dias cinzas
as folhas secas
outono que chega
*
vento em conluio
com nuvens travessas
brincando de roda
*
chuva caindo
menina dançando
menino sorrindo
*
a bala na cabeça
achada na rua
aos quatro anos
*
vovó está morta
e todos suspiram
aliviados, enfim
*
doutores da fé
agiotas divinos
do rebanho perdido
*
esgoto ao mar
Guanabara de sonhos
merda a boiar
*
Eis o resultado da brincadeira:
rosa na carne
vermelha nas costas
rosada nas coxas
*
caninos famintos
uivos insanos
momento da caça
*
lua devassa
valsando no céu
da noite vadia
*
fome e luxúria
desejos latentes
no sexo e na alma
*
sonhos fundidos
bistrô na cidade
e a casa no campo
*
rebentos de vida:
girassol floresceu;
leão que rugiu
*
amor em versos
beleza fitada
musa e poeta
*
a cama e nós
enrolados em lençóis
no quarto de hotel
*
coxas cruzadas
boca aberta
vergonha de nada
*
forgo ardente
chamas de medo
inferno de dúvidas
*
fogo que queima
as coxas, o sexo
a alma, o beijo
*
corpos despidos
amor urgente
no chão de cimento
*
aquela boceta
gostosa, vermelha ===> ele pediu um haicai com palavrão... :)
a rosa crispada
*
explosão gloriosa
o cume do amor
argamassa gozosa
*
os dias cinzas
as folhas secas
outono que chega
*
vento em conluio
com nuvens travessas
brincando de roda
*
chuva caindo
menina dançando
menino sorrindo
*
a bala na cabeça
achada na rua
aos quatro anos
*
vovó está morta
e todos suspiram
aliviados, enfim
*
doutores da fé
agiotas divinos
do rebanho perdido
*
esgoto ao mar
Guanabara de sonhos
merda a boiar
domingo, 2 de março de 2008
não perecível...
A felicidade não é um bem perecível que está à disposição em prateleiras. Muito menos o amor. Não há rótulos estampados nos sentimentos estipulando prazo de validade. E se houvesse rótulos, deveria constar neles "validade indeterminada". Quem pode dizer quanto tempo dura um amor? Um dia, algumas semanas, meses, muitos anos, a vida inteira?
Sim, eu acredito no amor que dura a vida inteira. O amor livre, despido de obrigações, leve. O amor de mãos dadas. O amor que nasce impaciente na juventude e continua menino no avançar da idade. Por que não? Por que fadar o amor ao fim, ao fracasso, antes mesmo que ele surja? Amor que é sentido assim é amor natimorto. Não é amor. É ensaio. Apenas.
Mente quem diz que não se importa que seu amor acabe. Eu me importo. Eu não quero que acabe. Quero a felicidade risonha de andar de mãos dadas com o meu amor sempre. Quero tudo. A vida toda.
Se nós nos aturaremos por tanto tempo? Não sei. Mas eu desejo que seja assim, que dure até eu não poder mais respirar, e que sua boca sele o meu último sorriso.
Sim, eu acredito no amor que dura a vida inteira. O amor livre, despido de obrigações, leve. O amor de mãos dadas. O amor que nasce impaciente na juventude e continua menino no avançar da idade. Por que não? Por que fadar o amor ao fim, ao fracasso, antes mesmo que ele surja? Amor que é sentido assim é amor natimorto. Não é amor. É ensaio. Apenas.
Mente quem diz que não se importa que seu amor acabe. Eu me importo. Eu não quero que acabe. Quero a felicidade risonha de andar de mãos dadas com o meu amor sempre. Quero tudo. A vida toda.
Se nós nos aturaremos por tanto tempo? Não sei. Mas eu desejo que seja assim, que dure até eu não poder mais respirar, e que sua boca sele o meu último sorriso.
luz dos olhos...
"(...)
Os meus olhos vibram ao te ver, são dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros pra poder melhor te enxergar
Luz dos olhos, para anoitecer é só você se afastar
Pinta os lábios para escrever a tua boca em minha..."
Pintarei os lábios de vermelho para marcar versos em tua boca...
Os meus olhos vibram ao te ver, são dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros pra poder melhor te enxergar
Luz dos olhos, para anoitecer é só você se afastar
Pinta os lábios para escrever a tua boca em minha..."
Pintarei os lábios de vermelho para marcar versos em tua boca...
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